HUM realiza mais de 100 transplantes de córnea nos últimos dois anos
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A jovem Beatriz Vitória de Araújo só estava realizando um exame de rotina na escola de sua cidade, Engenheiro Beltrão (60 km de Maringá), quando percebeu que a visão do olho direito estava embaçada. Então cursando a 7ª série do Ensino Fundamental, com 13 anos, ela foi encaminhada a um oftalmologista, que diagnosticou miopia.
Seguiu usando óculos até entrar no Ensino Médio, quando notou que o quadro começou a piorar significativamente. “Nesse momento, já estávamos no meio da pandemia, e eu acabei não indo mais atrás. Quando percebi que estava piorando, voltei ao médico”, contou. Após passar pelo oftalmologista mais uma vez, descobriu que estava com ceratocone, há dois anos.
A ceratocone é uma doença ocular progressiva, que pode ser genética ou adquirida, que afina e deforma a córnea (tecido transparente frontal do olho), transformando-a de redonda para o formato de “cone”. Causa visão embaçada, sensibilidade à luz, múltiplas imagens de um mesmo objeto, dentre outros sintomas. Devido ao avanço da doença, só restou à estudante passar por uma cirurgia de transplante de córnea.
“No começo, eu e minha família ficamos muito aflitos. Não tínhamos o dinheiro para a cirurgia, até que nos encaminharam ao Hospital Universitário (da UEM), onde nos informaram que havia como operar gratuitamente”, explicou. A gratuidade da cirurgia foi uma grata surpresa para Beatriz e família. “O telefone do meu pai tocou dia 6 de março, à noite. No outro dia, já estávamos no Hospital para a cirurgia”, ressaltou. Em clínicas particulares, as cirurgias de transplante de córnea chegam a custar de R$10 mil a R$20 mil.
Há 10 meses, Beatriz toma cuidados diários para manter o olho direito livre de problemas: usa colírio diariamente e dorme utilizando um tampão, para evitar que o olho seja coçado involuntariamente durante o sono. No segundo ano de Pedagogia na UEM, a estudante, hoje com 19 anos, sonha em ser professora.
Referência
O caso de Beatriz é um dos mais de 100 casos de transplantes de córnea realizados pelo Hospital Universitário da UEM nos últimos dois anos. Em 2025, foram realizados 60 transplantes, enquanto, em 2024, o número ficou em 47 operações. Já as cirurgias oftalmológicas eletivas e de urgência, também realizadas pelo hospital (o HUM é referência em traumas oculares), ficaram em 65 em 2024 e 103 no ano de 2025.
Segundo o médico oftalmologista Ricardo Tokunaga, o HUM realiza uma média de 50 transplantes de córnea anualmente há anos, o que coloca o hospital como uma referência nesse serviço na região. Diferente de outros órgãos ou tecidos, o Hospital é habilitado para a realização de transplantes de córnea. No caso de transplantes de outros órgãos, atua como facilitador, por meio da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).
O médico oftalmologista Vagner Atsushi Morimitsu explicou que o serviço de emergência oftalmológica do HUM atende a patologias como corpos estranhos em córnea, conjuntivites, glaucomas agudos, retinopatias vasculares, neuropatias ópticas, trauma palpebral, perda súbita de visão, entre outros. “As cirurgias basicamente envolvem quadros emergenciais de perfuração de globo ocular, com reconstituição do segmento anterior e casos de evisceração em olhos com infecção, ou olho doloroso sem potencial de visão útil”, endossou.
Equipamentos
Recentemente, o HUM recebeu quatro aparelhos, frutos de doações, que devem reforçar de forma imediata os atendimentos e cirurgias oftalmológicas. O retinógrafo portátil Eyer2; uma lâmpada de fenda portátil 2 aumentos PSL Classic; um microscópio Leica M220 F12, usado especificamente em cirurgias oculares; e um oftalmoscópio binocular indireto (Obi) vêm para somar nos atendimentos e procedimentos cirúrgicos.
“De certa forma, todos os aparelhos vão ajudar tanto no diagnóstico das patologias, acompanhamento, segmento de doenças, conforto do paciente, pois conseguimos levar o exame para o leito do paciente. Oferecem, também, maior precisão cirúrgica e melhores resultados, pois são mais atualizados do que os equipamentos dos quais dispunhamos”, avaliou Tokunaga.
Reportagem: Willian Fusaro
Disponível no site de Notícias da UEM.

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