Crianças com hemofilia recebem terapia menos invasiva no Hemocentro


A vida de Edna Maiara Pereira Gonzaga e do filho Bernardo Gonzaga Freitas ficou mais simples em 2026. Mãe do pequeno de 4 anos, paciente com hemofilia grave atendido pelo Hemocentro da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ela começou recentemente a aplicar o medicamento emicizumabe, liberado para crianças menores de sete anos, pelo Governo Federal. A liberação do medicamento, menos invasivo e administrado por via subcutânea, além de mais eficaz, ocorreu em outubro do ano passado. A partir de março deste ano, o Hemocentro começou a receber os medicamentos para aplicação.

Bernardo recebia o tratamento com o Fator VIII, assim como muitos pacientes de hemofilia que, hoje, estão aptos a receberem o tratamento com o medicamento emicizumabe. Edna, moradora de Astorga (50km de Maringá), tinha de medicar o filho com o fator três vezes na semana. O Fator VIII é administrado pelas veias, uma forma mais incômoda de tratamento. Com o emicizumabe, realiza uma aplicação por semana. 

“Eu vim ao Hemocentro na semana passada, agora nesta e tenho mais duas visitas. Levo o medicamento para casa e administro eu mesmo. É um ganho de tempo muito grande”, afirmou a mãe, de 26 anos. Ela vem ao Hemocentro com auxílio de uma ambulância adaptada. Bernardo está em busca de um diagnóstico e tem, entre outras comorbidades, hemofilia grave. “Com o uso desse medicamento, há uma semana, já diminuíram os roxos nele. Agora, acho que será possível iniciar a fisioterapia intensiva”, contou, animada.


A médica hematologista pediátrica Alessandra Borges explicou  que o emicizumabe é menos invasivo devido à via subcutânea. “Os tratamentos com acesso venoso eram realizados de duas a três vezes na semana, o que causava estresse em muitas crianças. O tratamento com a nova medicação pode ser feita uma vez por semana, a cada 15 dias ou, dependendo, até uma vez ao mês”, apontou. A medicação só era receitada em casos graves e para crianças que tinham inibidor ao fator. O uso para adultos já é liberado.

De acordo com o diretor do Hemocentro da UEM, Gerson Zanusso Jr., o início da utilização do medicamento no Hemocentro traz uma melhora significativa para os pacientes na redução do sangramento, o que traz mais qualidade de vida, maior autoestima. “Um ponto importante é que, quanto menor o episódio de sangramento, menor o risco de complicações crônicas. A melhora é imediata, além de minorar o risco de efeitos crônicos da doença com o passar dos anos”, apontou.

Além da melhora clínica, inicial ou na vida do paciente, o medicamento foi incorporado ao SUS. “Isso traz benefícios significativos a esses pacientes. A tendência é que eles se desenvolvam e tenham mais qualidade de vida e menores episódios de incapacidade, contribuindo com a rotina de cada família”.

Ampliação do uso

O Governo Federal estima que a medicação pode ser ampliada para crianças a partir dos sete anos. No ano passado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS a ampliação para outras faixas etárias. “A medicação já está disponível no SUS para crianças acima de seis anos que tenham anticorpos de inibição ao Fator VIII. Isso representa um avanço muito importante para essas famílias”, ressaltou, à época, o ministro.

Dados do Governo Federal apontam que o tratamento por meios particulares com emicizumabe, durante um ano, representaria um gasto de R$300 a R$350 mil às famílias.

Com informações da Agência Brasil.

Reportagem: Willian Fusaro
Fotos: Documentação Científica e Audiovisual do HUM
Disponível no site de Notícias da UEM.


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