Hospital Universitário registra aumento de 30% em atendimentos antirrábicos em 2026

 


O Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) registrou um aumento de 32% nos atendimentos antirrábicos no ano de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O atendimento antirrábico é necessário após acidente com animal mamífero doméstico ou silvestre, para avaliar possibilidade de exposição ao vírus da raiva. Os dados são do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH), e consideraram os meses de janeiro a maio de 2025 e 2026.

Entre janeiro e maio de 2025, foram atendidos 92 pacientes vítimas de contato com cães (66), gatos (15), morcego (5), macaco (4) e outros animais (2); já em 2026, o número de atendimentos totais foi de 135, com destaque para os casos envolvendo cães (102), gatos (15), morcego (12), outros animais (4) e macacos (2). Os casos ocorrem, na maioria das vezes, por contato acidental com os animais. Já entre os animais silvestres e de produção, também houve aumento de acidentes: em 2025, foram 11 casos, enquanto em 2026 o Hospital registrou 18 atendimentos até maio.

Dados obtidos em todo o mundo apontam que o principal transmissor da raiva para seres humanos é o cão doméstico: acidentes envolvendo cães concentram cerca de 99% dos casos. No Brasil, o cenário mudou nas últimas décadas. Historicamente, os cães eram os principais transmissores, mas, com o forte controle da raiva urbana por vacinação de cães e gatos nas últimas décadas, os animais silvestres passaram a representar os principais potenciais transmissores, primeiramente pelos morcegos, seguidos por primatas não humanos (especialmente saguis), raposas e felinos, entre outros mamíferos.

Segundo a enfermeira e coordenadora do NVEH, Mariluci Labegalini, em relação aos morcegos, a raiva pode ser transmitida pelos hematófagos (que se alimentam de sangue) e espécies não hematófagas (frugívoras e insetívoras), caso o animal esteja infectado com o vírus. Estudos científicos estimam que menos de 1% dos morcegos estejam infectados com o vírus da raiva.

“Dados do Ministério da Saúde apontam que, principalmente depois dos anos 2000, houve um aumento das transmissões envolvendo animais silvestres, em grande parte morcegos, em ambientes urbanos no Brasil, e um declínio das transmissões envolvendo animais domésticos. Algumas espécies de animais silvestres se adaptam ao ambiente da cidade, devido às mudanças ambientais e, por transmitirem a doença e em alguns casos não morrerem dela, são reservatórios importantes”, pontuou. O último caso de raiva humana autóctone evidenciado no Paraná foi em 1987.

Área controlada, vigilância constante

A raiva é uma das doenças mais antigas da história da humanidade: o primeiro caso foi registrado na China, em 500 a.C. A zoonose tem quatro ciclos de transmissão: animais silvestres, de produção, domésticos e aéreos, sendo o humano considerável um “hospedeiro acidental”.

A doença atinge o Sistema Nervoso Central do paciente e tem um índice de letalidade altíssimo, de quase 100%. A transmissão da raiva ocorre por mordedura, lambedura, arranhadura ou contato indireto com animal infectado e, após o aparecimento dos primeiros sintomas (formigamento, dificuldade para engolir e febre, entre outros), é quase 100% letal.

O estado do Paraná é uma área controlada para transmissão de raiva de animais domésticos. No entanto, devido à doença ser um problema de saúde pública, a vigilância deve ser constante por conta da alta letalidade.

HUM registrou mais de mil casos em cinco anos

O Hospital Universitário registrou 1.140 casos de atendimentos antirrábicos desde o ano de 2020. Naquele ano, foram registrados 169 casos; em 2021, 145; em 2022, os atendimentos se mantiveram, com 147 casos; em 2023, começou a ocorrer um aumento considerável e contínuo: 178 casos, passando para 220 em 2024 e 281 em 2025. Até o fim do primeiro semestre de 2026, já foram computados 135 casos, com projeção para manutenção de mais de 200 casos até o fim do ano. Somente em junho, foram registrados, antes da metade do mês, 15 casos, ou seja, mais de um caso por dia.

Segundo o relatório, 86,2% dos atendimentos feitos no HUM são de pacientes da cidade de Maringá. Com relação ao perfil do paciente, os acidentes envolvem prioritariamente pacientes adultos jovens de 20 a 29 anos (18,2%) e do sexo masculino (51%). A maioria dos acidentes ocorre nas mãos e pés (39%).

A enfermeira alerta que o HUM, apesar de atender à demanda espontânea da população, não se caracteriza como um centro de referência em atendimento antirrábico. Devido ao fluxo do Sistema Único de Saúde (SUS), atendimentos antirrábicos devem ser realizados preferencialmente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

Como forma de prevenção, é importante, segundo a enfermeira, incentivar as ações de vigilância e controle da população animal, o que inclui a vacinação de cães e gatos, manejo adequado e educação em saúde voltada à convivência segura com animais.

Reportagem: Willian Fusaro.
Disponível no site de Notícias da UEM.

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