Evento discute violência contra a mulher de forma integrada, no Auditório do HUM


A “Rede de Atenção às Violências: do acolhimento à garantia de direitos” mobilizou na tarde desta terça-feira (31) centenas de convidados, que lotaram o Auditório do Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O evento foi uma realização do Serviço de Educação Permanente (SEP) e do Colegiado de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher do HUM/UEM, com foco na abordagem multidisciplinar da questão, tanto nos aspectos jurídicos, legais, da perícia, passando pelos aspectos do atendimento em Saúde.

O evento reuniu autoridades da universidade, município de Maringá, representantes das polícias Militar e Científica, professores, técnicos universitários e estudantes. Compareceram a vice-reitora da UEM, professora Gisele Mendes; a vereadora Ana Lucia, também procuradora da Mulher da Câmara Municipal de Maringá; representantes das polícias Militar e Científica, na figura das envolvidas na Patrulha Maria da Penha em Maringá, soldadas Darine Barbi Araújo e Francielle Urgniane, pela PM, e da técnica em perícia da Polícia Científica, Jaqueline de Moura Silva.

Pelo HUM, palestraram os a enfermeira do Ambulatório de Especialidades, Viviani Dourado, que realizou a abertura do evento; o médico Nevton Valdir Bringmann; a assistente social do Pronto Atendimento (PA), Isabela Tieko Inoue; a assistente social do Ambulatório de Especialidades, Yolanda Grandizoli; e a psicóloga Emanuela Lucas Dias.

“Parem de nos matar”

O evento iniciou com uma ação de sensibilização realizada por técnicas de Enfermagem do Colégio Estadual Maria Goretti, de Maringá. Na ocasião, as mulheres, vestindo roupas pretas, leram textos que apontavam os dados catastróficos da violência contra a mulher: segundo estatísticas oficiais, quatro mulheres são mortas todos os dias no Brasil, o que resulta em 1400 casos por ano. No estado do Paraná, segundo a intervenção, foram registradas 14 mil violações contra a mulher, que muitas vezes não viraram denúncia. “Parem de nos matar”, repetiu o grupo, em coro, com as mãos pintadas de vermelho. Ao centro, outra mulher, de branco, representava as mulheres violentadas do Brasil.

Da assistência jurídica à assistência em saúde

A vice-reitora da UEM, Gisele Mendes, abriu o evento lembrando do histórico de constituição da desigualdade de gênero na humanidade, que remonta à entrada no Neolítico (120 mil anos). O momento é descrito na história como o instante em que o homem passa à sedentarização, por meio da Revolução Agrícola, domesticação de animais para trabalho e invenção da cerâmica - e, também, da consciência de que o homem fertiliza a mulher, antes tratada como um “objeto de culto” por ficar grávida e dar à luz outro humano. “Podemos dizer que aqui é o momento. Daqui em diante, a desigualdade de gênero passa a existir.”


A exposição passou pela evolução histórica das relações de gênero, até chegar na Era Moderna e Contemporânea. No Brasil, a aprovação do Código Civil de 1916 e das leis por direitos trabalhistas (esta fruto do momento do Entreguerras) e pelo voto feminino foram, segundo a professora, momentos importantes na evolução por direitos. Por fim, a discussão sobre as leis mais atuais, como a Lei Maria da Penha, e os tipos de violência hoje reconhecidos pela Justiça Brasileira (física, patrimonial, moral, psicológica, entre outras).


Outro momento de destaque foi a exposição da técnica em perícia Jaqueline Moura da Silva, que falou sobre o trabalho de humanização do processo da perícia no atendimento às vítimas de violência e às famílias enlutadas. A perícia, segundo Jaqueline, oferece um laudo técnico para a Polícia Civil prosseguir com o inquérito, sem a caracterização sobre o tipo do crime (feminicídio, por exemplo). “Costumamos dizer que a perícia vem depois do bem-estar da mulher. Não precisamos atendê-la se ela chega na delegacia, ensanguentada, precisando de acolhimento. Garantia da vida e segurança primeiro, perícia depois”, sentenciou.

Reportagem: Willian Fusaro.
Fotos: Documentação Científica e Audiovisual HUM
Disponível no site de Notícias da UEM.

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